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Professor nota 10

Selecionar os melhores professores. Este é o quarto mandamento do estudo da consultoria McKinsey para uma nação chegar ao topo da Educação. O estudo, chamado de Os Sistemas Escolares de Melhor Desempenho do Mundo Chegaram ao Topo, diz que: "A qualidade de um sistema educacional não será maior que a qualidade de seus professores." Outros estudos comprovam que o professor é o principal responsável pelo sucesso da aprendizagem. Seu conhecimento e sua atuação em sala de aula são o fator mais decisivo para o desempenho da turma, ultrapassando em importância o material didático e as metodologias de ensino. Não por acaso, escolher bons profissionais é uma das políticas mais disseminadas entre os países de alto desempenho. Na Coréia do Sul, considerado o modelo a seguir, os futuros professores do Ensino Fundamental são recrutados entre os 5% dos alunos com melhor desempenho no Ensino Médio - as notas de corte da carreira são altíssimas. Situação bem diferente da brasileira: por aqui, boa parte do professorado vem dos 20% piores alunos. Nesse grupo, um em cada três estudantes sonha com a docência. Entre os 20% melhores alunos, a carreira atrai um contingente bem menor: só 11% das turmas. A receita sul-coreana para seduzir os melhores é uma combinação de salário inicial atraente, possibilidade de aprimoramento profissional e chance de trabalhar numa carreira valorizada socialmente - coisas distantes da nossa realidade. Graças a uma formação de ótima qualidade, a salários iniciais atraentes - o equivalente a 4 mil reais mensais - e à valorização da função de professor, a Coréia do Sul consegue direcionar para o Magistério seus melhores alunos. Os futuros educadores só garantem vaga na faculdade após terem sua performance no equivalente ao Ensino Médio avaliada e tirarem pontos altíssimos em uma prova. Contam também para a seleção o conhecimento em línguas e Matemática e as habilidades de comunicação, básicas para quem ensina. Dessa peneira, saem só os 5% de melhor desempenho. Concluir o curso também não é fácil. São quatro anos em período integral, com estágios em escolas que funcionam dentro da universidade, onde os estudantes são acompanhados por tutores. Terminada a graduação, é hora de fazer o mestrado, obrigatório para lecionar (leia o quadro à direita). São estímulos a infra-estrutura oferecida pela rede pública e a garantia de trabalho - o número de graduandos atende apenas à demanda. Situação bem diferente é encontrada no Brasil, onde 30% dos estudantes de Pedagogia saem do grupo com as piores notas no Ensino Médio. Os resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) de 2005 mostram que apenas 2% desses cursos tiveram nota máxima. A má formação dos jovens é reflexo também de sua condição socioeconômica. Pesquisa realizada com base nesse exame pela consultora em Educação pública Paula Louzano mostra que 50% das mães dos futuros professores concluíram apenas o 1º ciclo do Ensino Fundamental - contra apenas 19% dos estudantes de Engenharia, por exemplo (leia mais no quadro da página ao lado). Outro dado emblemático é que cerca de 48% das famílias dos professores têm renda mensal de no máximo três salários mínimos. Configura-se, assim, um círculo vicioso: jovens mal formados ingressam numa carreira desprestigiada - apesar de estratégica - e vão lecionar para crianças e adolescentes que sairão da Educação Básica igualmente mal formados.